Saudades
Saudades
Florbela Espanca
Saudades! Sim... Talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como o pão!
Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!
E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!
Florbela Espanca
Saudades! Sim... Talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como o pão!
Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!
E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!


3 Comments:
Florbela, sabia expressar a dor sentida.Perfeito este soneto!Beijos.
Florbela viveu o que escrevia. Tentou, tentou e enfim consegui entrar no mundo dos Anjos.
Abigada pela sua visita.
Erika,
Que prazer imenso tê-la no meu blog, sempre com a sua delicadeza nos comentários.
Quanto a Genial poetisa Florbela Espanca, sua obra demonstra por inteiro os sentimentos que assolavam e consumiam a sua alma, Amor, solidão, tristeza, saudade, amores, desamores, evocação a morte. Foi densa demais Florbela, apesar de ter morrido muito jovem, viveu plenamente.
Adorei seu post, nos remetendo aos versos de Florbela.
Beijos,
Daniele.
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